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Dia de São Nicolau. Inseriu-se na corte papal no ano de 858 e foi coroado o 1º papa.
Dia mundial da gentileza. Gentil Quem descende uma boa linha; nobre.
Que demonstra ou contém elegância; elegante.
Que desperta empatia pela bondade de seus sentimentos e/ou pelo requinte de seus comportamentos; delicado.
Em que há delicadeza e graça; gracioso.
Que tende a encantar; encantador.
Nunca existiu uma época com tanto acesso à informação. Bibliotecas inteiras na palma da mão. Conhecimentos milenares e um clic de distância. E estranhamente nunca viemos um momento com tanta ignorância funcional. Proposital e até orgulhosa. A pandemia dos idiotas se espalha mais rápido do que qualquer vírus conhecido. Diferente das doenças comuns, esta não faz distinção de classe social, escolaridade ou lugar. Pessoas com diplomas avançados e smartphones de última geração, compartilham informações erradas, com a mesma certeza que tinham os fanáticos da idade média. O que torna essa pandemia especialmente destruidora, é que ela se alimenta de si mesma. Os infectados, não rejeitam a solução. Já veem com uma ameaça. O conhecimento, em vez de ser valorizado, é visto com desconfiança. O saber especializado, se tornou suspeito. Enquanto opiniões em base viram verdades absolutas. O mais preocupante, é que os sintomas são ignorados pelos próprios portadores. Alguém com pneumonia, sabe que está doente. Alguém com ignorância profunda geralmente acredita estar no auge da lucidez. Nitche a séculos já alerta desse problema, quando afirmo que a convicção é o inimigo mais perigoso da verdade que a mentira. A certeza sem base, essa segurança inabalável sobre temas complexos sem qualquer estudo sério, o estágio mais avançado da infecção. Não estamos falando apenas de erros de fatos, ou falta de informação . isso sempre existiu. O que vemos hoje, é uma forma diferente e mais agressiva. A recusa ativa em apreender, o orgulho claro da própria ignorância, a desconfiança constante em relação ao conhecimento organizado. Imagine um mundo as pessoas desconfiam de médicos, mas confiam cegamente em correntes do WhatsApp, onde professores são desacreditados e influenciadores sem qualquer formação são tratados como autoridades. Vivemos neste mundo. Essa epidemia não causa febre ou tosse. Seus sintomas são mais sutis. A dificuldade de distinguir fontes confiáveis. A resistência a mudar de ideia, mesmo diante de provas claras, a divisão de pensamentos que permite acreditar ao mesmo tempo em ideias contraditórias. O que torna ainda essa pandemia ainda mais devastadora, é que, diferente de um vírus comum, ela não apenas enfraquece o indivíduo, ela destrói a sociedade por dentro. Uma sociedade de pessoas incapazes de pensar criticamente, não consegue manter instituições democráticas funcionando ou enfrentar desafios complexos, como mudanças climáticas ou desigualdades econômicas. A ignorância hoje não apenas uma condição individual. É uma força social ativa com defensores apaixonados e uma estrutura própria. Estamos diante de um mistério intrigante. Quanto mais informação disponível, menos conhecimento real parece existir. As bibliotecas digitais infinitas não criaram uma geração mais sábia. Em muitos aspectos, criaram uma geração mais vulnerável a manipulações e mentiras. Esse problema em raízes profundas. No passado o conhecimento era raro e por isso valorizado. O esforço necessário para conseguir informações, procurar bibliotecas, procurar especialistas, estudar anos a fio, criava um filtro natural que separava o interesse verdadeiro da curiosidade passageira. Hoje esse filtro desapareceu. Qualquer pessoa pode fingir que sabe, depois de 10 minutos de pesquisa no Google. A diferença entre um especialista que se dedicou décadas a uma área e um novato que assistiu alguns vídeos,
No You Tube, se tornou , na visão de visão popular, quase inexistente. Mas este é apenas o sintoma. O problema real é mais complicado e se espalha sem que a gente perceba. Perdemos a capacidade de distinguir entre o conhecer e acreditar que conhecemos. Uma diferença que Sócrates considerava fundamenta para qualquer sabedoria verdadeira. Maquiavel que entendeu profundamente os mecanismos de poder e manipulação social, observaria na sociedade atua sua ideia mais cruel em prática. Os homens julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois todos ver, mas poucos podem sentir. A imagem de que se sabe, substituiu o conhecimento de verdade. O que testemunhamos não é apenas ignorância comum, mas uma forma evoluída e adaptada ao nosso mundo cheio informações. É a ignorância que se disfarça ceticismo que apresenta como pensar por si mesmo, enquanto apenas repete histórias prontas que confirmam preconceitos existentes. A pandemia dos idiotas cresce no de tanta informação. Deixamos de lado a capacidade de analisar, confiamos em caminhos mentais que nos enganam. Nos agarramos a crenças que nos oferecem conforto e um senso de pertencimento a um grupo, não à verdade. O resultado é uma população que confunde opinião com conhecimento e sabedoria. Certeza com prova e concordância com validação. Uma massa de pessoas conectadas pela tecnologia, mas intelectualmente isoladas em bolhas que apenas reforçam o que já acreditam. A ignorância afetou esta geração. A pandemia não discrimina, infecta através de um fragilidade comum a todos nós. Este é um mistério moderno. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e ao mesmo tempo tanta resistência a ele. A ignorância de hoje não falta de informação, mas uma relação distorcida com a própria ideia do saber. O sistema do pensamento humano está em colapso. Nossa mente deveria ter defesas contra mentiras e manipulações e raciocínios errados. Vivemos segundo Jug, vivemos uma inflação psíquica.