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O dia 14 de novembro é marcado por datas importantes como o Dia Nacional da Alfabetização no Brasil, o Dia do Bandeirante (celebração ligada à fundação da Vila de Santana de Paranaíba em 1625). Bandeirantes eram chamados os exploradores que saiam do litoral em direção ao interior do Brasil, uma região até então inexplorada, em busca de ouro e pedras preciosas. Foram responsáveis pela expansão do território nacional,
e o Dia Mundial do Diabetes. Eventos históricos incluem o Massacre de Porongos em 1844 durante a Revolução Farroupilha.
. Em 14 de novembro de 1889, Marechal Deodoro da Fonseca promulgou o decreto que pôs fim à monarquia e instaurou o novo sistema político no país.
• 1625: A cidade de Santana de Paranaíba, em São Paulo, é elevada à condição de Vila. Em homenagem a esse evento, o Dia do Bandeirante é celebrado em 14 de novembro.
• 1966: Criação do Dia Nacional da Alfabetização, em homenagem à fundação do Ministério da Educação (MEC) em 1930.
• 1975: Criação do Programa Nacional do Álcool pelo presidente Ernesto Geisel, uma resposta bem-sucedida para a crise do petróleo.
Um homem que mostre a paciência é mestre de tudo. Disse George Savile, escritor político inglês, mas e quem é mestre do silencio? Esse sim seria invisível ou invencível. Vivemos numa era onde tudo precisar ser mostrado. Onde cada por do sol, parece valer menos se não for editado. Onde cada lágrima precisa de legenda e cada alegria precisa ser publicada para só então, ser sentida. Nossos dias se tornaram vitrines, e nós produtos. Só que existe um grupo de pessoas que não entrou nesse jogo, que não exibe, não sorri para a câmara, não publica a sua dor e é sobre elas que vamos falar. Talvez elas saibam de algo, que o restante do mundo ainda se recusa a ver. Sente desconforto porque não consegue ser filtrado. Todos nós em algum momento somos sugados pelo desejo de sermos vistos, de provar que estamos vivos. E se a liberdade estiver justamente no contrário? Em desaparecer, em não dar provas, em não pedir aplausos. Alam Watts, mestre da filosofia oriental dizia, tentar se definir é como tentar morder os próprios dentes. Talvez seja por isso que os mais lúcidos se escondem. Vivem um recolhimento entre o ego e o silencio, entre o palco e a sombra. O silêncio é confundido com ausência e a ausência com insignificância. Há algo mais perturbador por traz dessa lógica, como se o mundo tivesse feito um pacto silencioso, quem não se mostra não existe. Com se a vida para ser validade, precisasse ser servida em pizzas. Poste, prove, publique, participe. E quem não entra nesse jogo, que se recusa em transformar sua intimidade em conteúdo, é visto como alguém estranho, deslocado e até triste. Não postar fotos, não contar o que jantou, não exibir o sorriso perfeito da viagem realizada, não mostrar o seu ego. Isso para muitos soa como renúncia, mas para os mais atentos, soa como resistência, porque há um tipo de presença que não depende de aplausos e um tipo de inteligência que nasce no silêncio. Alan Watts dizia que o menu não é a refeição, assim como a foto não é o momento, a legenda não é o sentimento e o poste não é a vida. Ainda assim vivemos como se fossem. Como se aquilo que não pode ser mostrado, não merecesse ser vivido. E é assim que começa a loucura. Imagine um indivíduo que decide sair de cena, não porque desistiu da vida, mas porque quer senti-la de forma inteira, sem interferência do olhar alheio. Ele percebe algo assustador. Quanto mais você se mostra, mas os outros se sentem no direito de te possuir. A cada foto, uma camada sua é arrancada e entregue à massa anônima. Isso é ainda mais cruel. Você começa a se ver e eles te veem. A vitrine que você construiu para se exibir, vira sua prisão. Postar uma imagem não é apenas compartilhar um momento, é provar que você existe. É pedir, por favor me veja, me valide, me reconheça. E o silêncio nesse mundo, soa como desaparecimento. Talvez o silêncio seja um grito de quem diz, eu não estou à venda. Pessoas que não postam nas redes sociais, não estão desconectadas do mundo. Estão profundamente conectadas a algo que não se pode tocar. A si mesmas. Elas habitam uma zona onde o tempo corre diferente. Onde as lembranças são sentidas na pele e não armazenadas em stories. Onde o prazer de viver, não vem do clic mas da presença. E aí está a ironia, mas sombria de todas. Em um mundo onde todos querem ser vistos, quem escolhe o silencio e a discrição, se torna inesquecível. Porque a ausência provoca. O mistério seduz mais do que o excesso. A escassez cria valor. Quando alguém aparece menos, cada gesto seu tem peso. Cada aparição vira acontecimento. Como disse uma vez Cioran, só existe um luxo verdadeiro: o de não ser constantemente visível. O mundo digital nos convenceu de que a felicidade precisa de prova, a dor precisa de estética e a rotina precisa de espetáculo. Mas os que não postam estão livres dessa farsa. Não precisam transformar cada instante em vitrine. Vivem fora do palco e por isso mesmo vivem de verdade. Essas pessoas guardam silêncio, não por ser segredo, mas porque é sagrado. O mais importante não é o que ela esconde, é o que não precisa mostrar. Essas pessoas entenderam cedo demais o que os outros só compreenderão tarde demais. Que o excesso de exposição te rouba as essências. Quando você posta tudo, você se dilui, você se transforma em conteúdo. E ao se tornar conteúdo perde o mistério.