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Na semana passada, o município de Iomerê recebeu um importante encontro regional de ovinocultores com a presença do engenheiro agrônomo, professor universitário e consultor do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, Daniel Benítez. Ele atua nos programas Rotas da Integração Nacional da Ovinocultura e da Caprinocultura, que identificam e conectam arranjos produtivos locais em diversas regiões do Brasil.
Segundo Benítez, as chamadas “rotas” são iniciativas que organizam e fortalecem cadeias produtivas locais, como é o caso da produção de carne de cordeiro – um produto gourmet, considerado premium dentro do setor de proteína animal. “A proposta é sair da informalidade e transformar o pequeno produtor de CPF em CNPJ, criando uma estrutura organizada, com governança e integração, principalmente via cooperativismo”, explicou.
Chapecó, por exemplo, é destaque nacional na produção de leite de ovelha. Agora, outras regiões de Santa Catarina, como Iomerê, começam a ser integradas à rota da carne de cordeiro, fortalecendo a cadeia com foco na padronização e valorização do produto. “O consumidor precisa encontrar sempre o mesmo padrão de qualidade, como ocorre com o frango e o suíno. Hoje isso não acontece com a carne ovina”, destacou.
Benítez enfatizou ainda que o mercado brasileiro para carne de cordeiro é historicamente insatisfeito, devido à oferta irregular e à mistura de diferentes tipos de carne ovina – como borregos, capões e até ovelhas adultas – vendidas como se fossem cordeiros. Essa falta de padronização prejudica a percepção de qualidade por parte do consumidor e limita o desenvolvimento do setor.
Durante o encontro, também foi destacada a importância de criar identidades regionais para a carne de cordeiro, como já ocorre em outras partes do país com marcas como “cordeiro pampa” e “cordeiro das carnaubeiras”. “A proposta é que Iomerê e região possam desenvolver sua própria marca, valorizando o bioma e a cultura local”, sugeriu o consultor.
Por fim, Benítez reforçou que o maior desafio não está na técnica, mas na governança. Ele defendeu que municípios apoiem os produtores com políticas públicas de fomento à genética e à organização da cadeia produtiva, sem necessariamente aportar recursos financeiros. “A democratização da genética por meio de programas de inseminação artificial, por exemplo, pode garantir que todos os produtores, mesmo os mais humildes, tenham acesso à qualidade. Isso é inclusão produtiva e técnica, não um jargão político”, concluiu.
Dados do setor mostram que o Brasil importou, em 2024, cerca de 2 milhões de quilos de carne de cordeiro do Uruguai – um indicativo claro de que há demanda interna reprimida e espaço para expansão da produção nacional.