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Editorial: Risco de apagão no transporte

O Brasil pode enfrentar um desorganização logística em razão da crescente escassez de motoristas de caminhão.

Atualizado em 24/02/2026 às 17h55
Foto: Sergei Skrynnik: https://www.pexels.com/pt-br/foto/luzes-noite-carro-veiculo-11053640/

O calendário gregoriano é um calendário de origem europeia, utilizado oficialmente pela maioria dos países. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII[1] (1502–1585) a 24 de fevereiro do ano 1582 pela bula Inter gravíssimas em substituição do calendário juliano implantado pelo líder romano Júlio César.

Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil — uma data que marcou oficialmente, em 1932, o reconhecimento do direito das mulheres ao voto.

1891 — Promulgada a primeira Constituição republicana do Brasil.

1997 — O cientista Ian Wilmut, do Instituto Roslin, na Escócia, anuncia a existência da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir de uma célula de um animal adulto.

O Brasil pode enfrentar um desorganização logística em razão da crescente escassez de motoristas de caminhão. O desinteresse pela profissão, associado a remuneração insuficiente e insegurança nas estradas, tem provocado esvaziamento progressivo dos transportadores autônomos indicam que o número de condutores habilitados para veículos pesados caiu mais de 60% na última década, configurando um cenário que ameaça o abastecimento nacional.

Em 2014 o país contava com3,5 milhões de motoristas profissionais. Dez anos depois esse contingente foi reduzido para  1, 3 milhões, a dificuldade de renovação geracional é evidenciada pela idade média atual dos profissionais ativos, que chega a 46 anos. Sem a entrada  de contingente de jovens no mercado, empesas de transporte relatam entraves significativos na reposição de mão de obra. Processos seletivos que antes  concluídos em 2 meses podem se estender por até 6 meses. Comprometendo a eficiência do setor.

 A existência das novas gerações em ingressar na carreira está diretamente relacionada às condições de trabalho. A insegurança nas rodovias, marcada por roubos de carga e violência, figuram entre os principais fatores, da desestímulo. Soma-se a isso a precariedade estrutural das estradas a falta de postos adequados de apoio profissionais. Além do risco físico a  remuneração não acompanhou o aumento do custo de vida, e de manutenção dos veículos, reduzindo a atratividade econômica da atividade.

 A crise de mão de obra também evidencia uma fragilidade estrutural econômica brasileira, a elevada dependência  do transporte rodoviário. Atualmente cerca de dois terços de toda a carga movimentada no país utilizam a estradas como principal meio de escoamento. A insuficiência  de motoristas tende a pressionar o valor do frete com efeitos diretos sobre o preço dos produtos e insumos industriais, ampliando impactos inflacionários e reduzindo a competividade econômica. 

De acordo com análise da Associação Nacional dos Transportadores de cargas e Logística, a recomposição da força de trabalho passa necessariamente  pela valorização da profissão, com melhorias na remuneração e nas condições do exercício da atividade. Sem medidas estruturais, o país corre o risco de não dispor de capacidade técnica suficiente para  garantir abastecimento regular à população.

Paralelamente especialistas  defende a diversificação da matriz do transportes como estratégia de médio prazo. A ampliação do modal ferroviário, surge como alternativa sobre as rodovias.

 O investimento em ferrovias permitiria o transporte de grandes volumes a longas distancias, com maior previsibilidade, segurança e menor custo operacional. Nesse modelo, , o transporte  rodoviário assumiria o papel de complementar e estratégico na distribuição regional e na chamada última, milha, contribuindo para um sistema logístico mais equilibrado resiliente.

A falta de motoristas profissionais no Brasil está gerando uma crise logística, com estimativas que superam 7 a 8 mil caminhões parados apenas no estado de Santa Catarina, resultando em prejuízos superiores a R$ 30 milhões por mês BBT Transportes ND Mais Instagram. O déficit nacional supera 120 mil motoristas, com uma redução de mais de 1 milhão de profissionais habilitados na última década.

O Sistema Fetranscesc, que reúne 13 sindicatos regionais, vem articulando com os governos estadual e federal soluções que tornem o setor mais competitivo e valorizem a profissão. Iniciativas como o Programa CNH Emprego na Pista e o Estrada Boa, ambos apoiados pelo Governo de Santa Catarina, buscam formar novos condutores e facilitar o acesso à habilitação profissional.

O cenário reforça um desafio nacional: a necessidade urgente de políticas públicas integradas, infraestrutura segura e remuneração justa para garantir a continuidade do transporte rodoviário — essencial para o abastecimento e o desenvolvimento econômico do país.

Fonte: Nereo Lopes de Lima

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