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Dia da consciência ecológica.
Anos de Chumbo no Brasil: após protestarem publicamente contra a ditadura militar brasileira, os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil são presos no Rio de Janeiro
1981 — O Estado de Rondônia é criado.
1986 — É declarado oficial o 13.º salário para todos os trabalhadores brasileiros.
2016 — Um estudo encontra a vacina VSV-EBOV contra o vírus Ebola entre 70-100% eficaz, tornando-a a primeira vacina comprovada contra a doença.
Em 1.761 é criado o Ministério da Fazenda no Brasil.
Em 25 de dezembro de 336, em Roma, ocorreu a primeira celebração de Natal. Os cristãos já realizavam seus cultos abertamente desde 313 com a liberdade concedida pelo Edito de Milão. Pouco tempo depois, o papa Júlio I (pontificado de 337 a 352) formalizou o 25 de Dezembro como Natal, o nascimento de Jesus.
o 25 de Dezembro fixou-se como a festa que congrega milhões de cristãos e é comemorado, inclusive por muitos não cristãos. Durante esse período, cessam os compromissos mundanos, as agendas políticas e jurídicas, e interrompem-se até as guerras e conflitos cujo exemplo mais significativo foi a Paz e a Trégua de Deus durante a Idade Média.
RutH Toledo
A sugestão veio de Minas Gerais. Tenho a convicção que muitas professoras aposentadas e também as em atividade sentirão forte emoção.
Disse a professora” hoje um menino de 7 anos me disse que eu não servia pra nada” assim começou meu último dia como professora primária em uma escola pública.
Sem ironia. Sem raiva. Apenas uma voz indiferente, como se estivesse comentando sobre o tempo. Você não sabe fazer TIK TOK. Minha mãe diz que pessoas velhas como você já deveriam ter se aposentado. Eu sorri. Aprendi a não levar para o lado pessoal. Mesmo assim, algo dentro de mim quebrou um pouco mais.
Meu nome é professora Helena. Ensinei o 1º ano em uma cidadezinha nos arredores de Belo Horizonte por 36 anos. Hoje arrumei minha sala pela última vez. Quando comecei, no fim dos anos 80, ensinar era um chamado, um laço sagrado. As pessoas confiavam em nós. Até nos admiravam. Não ganhávamos muito, mas havia respeito. E isso valia mais que qualquer salário.
Os pais levavam bolo de fubá nas reuniões. As crianças faziam cartões de aniversário cheios de erros de português e corações tortos. E quando alguém lia sua primeira frase em voz alta era uma alegria que nenhum dinheiro podia pagar.
Mas muita coisa mudou. Devagar, silenciosamente, ano após ano. até que um dia olhei para minha sala e não reconheci mais o trabalho que tanto amei. E não é só por causa de tabloets e lousas digitais, embora também seja. É cansaço. Falta de respeito. A solidão.
Antes eu passava as tardes recortando maçãs de papel para enfeitar paredes. Agora passo preenchendo relatórios em um aplicativo de computador, caso algum pai resolva me processar. Terei defesa. Já gritaram comigo na frente de toda a turma. Não só alunos, pais. Um deles me disse “a senhora não sabe lidar com criança. Vi um vídeo no celular do meu filho. Ele tinha me filmado enquanto eu tentava acalmar outro aluno em crise.
Ninguém perguntou como eu estava. Ninguém quis saber que eu estava funcionando à base de chiclete, café e pura força de vontade.
As crianças também mudaram. E é culpa não é delas. Vivem num mundo acelerado, barulhento, desconectado. Chegam a escola com sono, viciadas em telas e emocionalmente despreparadas. Alguns veem com raiva. Outros com medo. Muitos não sabem segurar um lápis, esperar ou dizer por favor. Esperam que a gente dê conta de tudo. Seis horas por dia na escola, outras tantas na preparação, sem assistente, com 28 ou mais alunos na sala e um orçamento que não dá nem para o bolo de aniversário na escola.
Lembro de quanto minha escola era um abrigo. Tínhamos um cantinho da leitura com almofadas coloridas.. Cantávamos pela manhã. Aprendíamos a ser gentis antes de aprender a somar. E agora? Agora me pedem para focar em metas de aprendizagem, métricas, resultados mensuráveis. Meu valor é medido pela forma como uma criança de 6 anos preenche bolinhas em uma prova padronizada de março.
Uma vez um supervisor me disse!” você é muito afetiva. Nosso município quer resultados. Como se conectar com as crianças fosse defeito. Mas eu continuei. Porque sempre existiam pra mim, momentos pequenos, sagrados.
Uma criança cochichou para mim. Você parece minha avó. Queria morar com você. Outra me deixou um bilhete na minha mesa. Aqui me sinto seguro. Ou aquele menino tímido que me olhou e me disse, li sozinho.
Agarrei esses momentos como se fossem boias salva-vidas. Por que eles nos lembravam que, mesmo quando o mundo gritava ao contrário, eu ainda estava fazendo algo que importava.
Mas esse último ano me quebrou. A violência aumentou. Um aluno jogou uma cadeira pela sala e outro me ameaçou. Tudo porque pedi para sentar.
O telefone da escola virou linha direta de emergência. A coordenadora pediu demissão recentemente. No mês seguinte não havia mais professores substitutos.
A exaustão virou uma névoa densa e constante.
E eu? Comecei a me sentir invisível. Substituível. Como uma máquina velha em um mundo digital que já não acredita no toque humano.
Arrumei minha sala hoje. Arranquei desenhos desbotados das paredes, alguns de décadas atrás. Encontrei uma caixa de carinhas de uma turma de 1,995. Uma delas dizia, obrigado por gostar de mim, mesmo quando eu fui bagunceiro. Chorei ao ler.
Porque naquela época, ser professora, significava alguma coisa. Hoje parece ser uma profissão que se deve pedir desculpas.
Na minha despedida não houve festa nem discurso. Só um aperto de mão do diretor, que me chamou de senhora e checou o celular no meio da despedida. Esqueci minha caixa de adesivos. Minha cadeira de balanço, minha paciência.
Mas levei comigo a lembrança de cada criança que um dia me olhou com encanto. Com confiança ou com alívio. Isso é meu. Ninguém pode roubar de mim.
Não sei o que vem agora. Talvez eu seja voluntária na biblioteca da cidade, talvez eu aprenda a fazer pão caseiro. Ou talvez apenas me sente na varanda com meu chá quente, lembrando de um tempo em que era mais gentil. Porque sinto falta? Sinto falta de quando ser professora era ser aliada, não alvo. Quando escola e família caminhavam juntas. Quando educar era cultivar, não apenas medir desempenho. Se você foi ou professor ou professora me entende. A gente não fez isso pelas férias, por dinheiro. Fizemos pelo menino que aprendeu a amarrar os cadarços, pela menina que finalmente sorriu depois de semanas de silêncio. Pelas crianças que precisavam de nós de um jeito que nenhuma prova consegue mensurar. Fazemos por amor. Por esperança, por acreditar que ainda dava para mudar o mundo, pela educação. Então se um dia encontrar uma professora de ontem ou de hoje, agradeça. Não com uma xícara de café, nem com uma maçã, mas com seu respeito e admiração. Porque num mundo que corre depressa demais elas ficaram. Nu sistema que desmoronou. Essas professoras, resistiram ao modernismo, que está embrutecendo as pessoas e num mundo que as esqueceu, elas se lembram de cada criança. Desejamos que esses professoras, saibam que não estão sozinhas e esquecidas. Simples assim.